sábado, 5 de dezembro de 2009

A Infância !

Ser criança significa viver uma forma especial de vida. Uma pessoa pode, como um adulto sábio, deixar a criança que há dentro de si continuar a manifestar-se. Isso é algo que nunca se esgota. Descobrimos que, se o adulto esquece a criança que existe dentro dele, ele deixa de ser humano. Ele perde o seu centro humano. O que a nossa cultura realmente precisa é de resgate dos valores infantis. Se olharmos a fundo para essa questão, perceberemos que aquilo que faz os adultos sofrerem nos tempos modernos, deve-se à falta de infância, de qualidade infantil dentro da sociedade. (…)

Uma das características infantis é a enorme confiança que a criança tem nas outras pessoas e no mundo. Uma segunda característica é que as crianças são completamente abertas. Até que comecem a dizer “eu” referindo-se a si próprios – o que ocorre entre dois anos e meio e quatro anos – elas são incapazes de mentir, são absolutamente honestas. Mesmo mais tarde, costumam dizer sempre a verdade, tanto que existe um provérbio alemão que diz que a boca da criança diz sempre a verdade.(…)

Outra situação típica de todas as crianças é que, quando são pequenas, têm uma capacidade absoluta de perdoar. Uma pessoa pode ser tão má quanto queira, com ela, mas no momento em que essa pessoa sorri novamente e dá de novo comida a criança esquece-se do acontecido, fica novamente contente com aquela pessoa, e perdoa. Esse comportamento costuma ocorrer até a idade de oito ou nove anos, quando esse período sagrado da infância realmente se acaba.(…)

As crianças treinam a liberdade. Se lhes damos espaço, elas sempre agem de maneira absolutamente livre, a partir de si mesmas. Com sua qualidade de abertura, elas são extremamente habilidosas em ser plenas de admiração e devoção. Tem seus momentos de silêncio em que realmente sentam, observam e admiram. Adoram brincar, mas o que significa para elas o brincar? Elas têm prazer em brincar, mas para elas brincar significa trabalhar seriamente.(…)

Se nós adultos, amássemos nosso trabalho, aquilo que fazemos como se fosse uma brincadeira, de modo que a cada dia pudéssemos executá-lo com mais intensidade e seriedade, sabendo melhor para que serve e quem iria empregar o fruto do nosso trabalho, com a identificação típica de uma criança, nossa vida social seria, com certeza, muito diferente, Teríamos quase que o céu na terra.

As crianças nunca perguntam antes de começar a brincar seriamente: ‘quanto é que eu vou ganhar com isso? Nós adultos, só aceitamos trabalhar se soubermos que seremos pagos, e não apenas por gostarmos do mundo e querermos contribuir para ele. Nós perdemos nossa infância ao perdermos esse idealismo, ao nos tornarmos menos e menos honestos.

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